A Festa dos Mortos
Toda primavera, os mortos voltam para jantar. Este ano, algo errado veio junto.
por Critical20
Publicado em
Contexto narrativo
Configuração
Identificar o espírito que voltou de verdade durante a Festa dos Mortos, descobrir quem o chamou, e mandá-lo de volta antes do amanhecer.
Como começar
Os PJs estão de passagem por Linha-do-Cipreste em equinócio de primavera. A vila é convidativa: oferecem hospedagem grátis pra forasteiros na noite da Festa, desde que respeitem o silêncio durante o jantar. Conforme o pôr-do-sol se aproxima, vocês veem famílias polindo louças antigas, acendendo velas em janelas, falando dos mortos como se fossem viajantes esperados.
NPCs envolvidos
Vovó Cidália
Guardiã do costume
Mulher de 85 anos, costume preta, lenço bordado. Conhece o folclore inteiro. Móvel devagar, mas mente afiada.
Motivação: Preservar o costume. Vai contar tudo sobre as regras: silêncio durante o jantar, ninguém come até o terceiro suspiro do vento, deixar a porta entreaberta pros 'visitantes'. Sente que algo errado está acontecendo este ano.
Tamires Volpa
Mandante (involuntária)
Mulher de 30 anos, viúva há 6 meses (marido Olen morreu de febre). Hospedeira simpática, ofereceu cama aos PJs.
Motivação: Sentiu falta tão profunda do Olen que pagou a uma bruxa próxima para 'só desta vez, deixar ele voltar pra jantar'. Não previu que algo poderia dar errado.
Olen, o convidado vivo
Espírito antagonista
Espírito de homem de 32 anos, alto, pálido, olhos sem brilho. Veste a mesma roupa em que foi enterrado. Não fala muito. Sorri quando olha pra Tamires.
Motivação: Não quer voltar. Sente-se em paz à mesa. Vai resistir. Se contrariado, fica perigoso (poltergeist).
Bruxa Verg
Antagonista oculta
Mulher idosa que vive no bosque a 2 km da vila. Cabana coberta de musgo. Conhece magia popular.
Motivação: Cobrou 50 po de Tamires pelo ritual. Sabia dos riscos. Não confessará a não ser pressionada. Pode ajudar a desfazer se for paga (50 po a mais) ou intimidada.
Veja a história completa de Bruxa Verg →
Roteiro — ordem de eventos
- 1
Fase 1 — A vila se prepara
Ao entardecer, os PJs caminham pela vila. Vovó Cidália oferece chá e explica o costume. Tamires Volpa, hospedeira deles, está estranhamente alegre. Detalhe (Intuição CD 12): ela põe um prato extra na mesa, e o prato está limpo, com pão fresco, e UMA garfada tirada — o costume não diz para tirar garfada, é só simbólico. Observações disponíveis: • Casa de Tamires está com cheiro de incenso queimado de manhã (Investigação CD 11) • Tamires usa amuleto no pescoço que não usava (Percepção CD 13) • Pegadas frescas pra fora da vila, em direção ao bosque (Sobrevivência CD 14)
Leia em voz altaLinha-do-Cipreste à luz da hora dourada: cada janela ganha uma vela, cada porta fica entreaberta. O cheiro de pão recém-tirado do forno se mistura com fumaça doce de incenso barato. Tamires sorri sem parar enquanto põe a mesa pra três — você, ela, e Olen.XP estimado: 0
- 2
Fase 2 — O jantar
À noite, a vila inteira janta em silêncio. Os PJs estão à mesa de Tamires. Após o terceiro suspiro do vento (Cidália dará o sinal), todos começam a comer. Durante o jantar, na mesa de Tamires, uma cadeira fica preenchida visualmente para os PJs sensíveis: vulto de homem alto, pálido. Percepção CD 14 vê algo. Visão Penumbra ou similar identifica o vulto como morto. Tamires sorri pro vulto e conversa baixinho ('comeu mesmo, meu amor?'). Mantém o silêncio formal mas treme. Decisão dos PJs: • Romper o silêncio do jantar (escândalo social — vila se ofende, mas situação se acelera) • Esperar o fim para confrontar (1 hora silenciosa) • Sair discretamente pra investigar a casa (Furtividade CD 12)
Leia em voz altaO vento sopra três vezes pela porta entreaberta. Cidália inclina a cabeça. Talheres sobem. O pão é partido. Na cadeira do outro lado da mesa, ao seu olhar atento, há uma sombra que se senta. Uma forma de homem, costura na blusa, olhos vazios — mas reais. Tamires inclina a cabeça pra esse vulto e sussurra: 'Olen, comeu mesmo?'XP estimado: 0
- 3
Fase 3 — Investigação na casa e no bosque
Após o jantar, investigação: • Quarto de Tamires: livro de magia popular escondido (Investigação CD 12), com receita de ritual para 'trazer um ente querido por uma noite'. Marcas de pó vermelho num altar improvisado. • Conversa com Tamires (se confrontada): chora, conta tudo. Diz onde mora a Bruxa Verg. • Visita à Bruxa Verg (2 km de caminhada noturna): cabana iluminada, gato preto na janela. Verg recebe com sorriso. Confessa se pressionada (Intimidação CD 14 OU pagamento de 50 po).
Leia em voz altaSob o colchão de palha de Tamires, vocês acham um livro com capa de couro escuro, páginas marcadas com pena. A receita está em duas linguagens — uma em comum, outra em élfico antigo. Pó vermelho ainda marca o desenho da estrela no chão do quarto, atrás do baú.XP estimado: 0
- 4
Fase 4 — O desfazer do ritual (clímax)
A Bruxa Verg dá o contra-ritual: queimar o pão que Olen 'comeu' + Tamires deve dizer adeus diretamente, em voz alta, ao espírito. Voltando à casa, Olen está esperando — sabe que vão tentar mandá-lo embora. Resiste. **Cenário A — Resistência pacífica:** Olen tenta persuadir Tamires a não desfazer ('só mais uma noite — ela merece'). Persuasão CD 16 dos PJs convence Tamires. Adeus é feito, Olen parte em paz, Tamires chora. **Cenário B — Resistência hostil:** Olen vira poltergeist (Specter, MM p. 312, modificado: HP 22, dano reduzido). Combate na sala de jantar. Após derrotado, parte com lamento. **Cenário C — Não confrontam:** O amanhecer chega. Olen não pode ficar — mas leva Tamires com ele. Vila acorda e ela está morta na cama, sorrindo.
Leia em voz altaOlen está em pé na sala, agora visível pra todos. Tamires segura o queixo. Vocês têm o pão queimado na mão, o ritual decorado. Mas Olen olha pra Tamires e diz, em voz baixa: 'Eu não quero ir. Ela não quer que eu vá.'Criaturas envolvidas
- 1×spectre
XP estimado: 200
Ideias e variações
Twists e alternativas para reaproveitar este encontro em diferentes mesas.
- Tamires está grávida de 3 meses (filho do Olen morto). O ritual foi para que Olen visse o filho antes de partir. Aprofunda o dilema moral.
- Outras famílias da vila TAMBÉM usaram o ritual ao longo dos anos — Cidália sabe e protege o segredo. Vila inteira tem 6 espíritos extras se PJs olharem.
- Verg NÃO é vilã: ela aceitou ajudar Tamires por luto próprio (perdeu filha há anos). Quer impedir que mais gente faça o mesmo.
- Olen revela durante a Fase 4 que foi envenenado (não morreu de febre como Tamires acredita). Os PJs ganham gancho de assassinato.
- O equinócio só dura até o amanhecer. Pressão temporal: cada hora corre. Anuncie a hora periodicamente ('falta uma hora pra clarear').
Recompensas
- Hospedagem grátis em Linha-do-Cipreste para sempre (gratidão de Cidália)
- Livro de magia popular (item curioso, valor 80 po em sebo)
- Pergaminho da Bruxa Verg: 1× contra-feitiço para uso futuro
- Amuleto de proteção contra mortos-vivos menores (Tamires de presente, se viva)
- Gancho: outras famílias com espíritos ocultos — caso aberto na vila
- Reputação: "caçadores de espíritos" em região rural (chamados para outros casos)
Notas do mestre
Encontro melancólico de horror suave. NÃO é sobre lutar — é sobre amor que persiste demais. Mantenha tom respeitoso pela cultura da vila. Olen NÃO é vilão; Tamires NÃO é vilã. Verg ajudou por compaixão. Os PJs precisam navegar tudo isso. Use silêncios. Descreva a luz de vela. Se algum PJ tem morto importante no backstory, pergunte como reage a Cidália — pode trazer arco pessoal. Tom de filme de Studio Ghibli misturado com horror folclórico português.