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Origem e propósito
Identidade
Tendência: neutro e mau (alguns Vau-velhos antigos ainda guardam código)
Estrutura: Sindicato familiar de quatro níveis. Marcas talhadas em remos sinalizam território e permissão de travessia.
Ideologia: Toda água que corre passa por alguém — e esse alguém somos nós. Quem não paga, afunda.
Métodos: Pedágio em vaus e balsas, contrabando ribeirinho, espionagem de margem, afogamentos disfarçados de acidente. Evitam violência aberta em centros urbanos.
Hierarquia
- 1. A Maré Alta — Chefe absoluta. Hoje é Mestra Vau. Decide guerras, pactos com nobres e quem afunda na próxima cheia.
- 2. Atravessadores — Capitães regionais. Cada um responde por um trecho de rio, com autonomia para cobrar, punir e contrabandear.
- 3. Vau-velhos — Operadores diretos de pontes, balsas e portos. Conhecem cada pedra do leito e cada cliente regular.
- 4. Limosos — Recrutas, vigias e ladrões pequenos. Crianças, adolescentes e marginais que escutam tudo da margem.
Ritos, magias e operação
Marca de Remo
OperaçãoSistema de talhos codificados nos remos da Correnteza. Três cortes paralelos no cabo significam vau pago e seguro; um corte em diagonal significa vau proibido naquela noite; sem marca, o barqueiro tem permissão de afogar o passageiro. Comerciantes experientes aprendem a ler antes de embarcar.
Travessia da Lua Nova
Ritual sazonalToda lua nova, novos Limosos atravessam o rio sozinhos à meia-noite carregando uma moeda de cobre. A moeda é afogada no meio da travessia, com o nome de um inimigo sussurrado sobre ela. Quem não chega à margem oposta antes do amanhecer não é recrutado — e nem procurado.
Sussurro de Margem
OperaçãoRede de Limosos espalhados em margens, docas e pontes. Cada vigia tem um apito de osso de peixe com um som específico — viajante armado, mercador rico, guarda em patrulha, paladino mal-encarado. O som corre a margem mais rápido que qualquer cavalo.
Mãos Mágicas
MagiaTruque, escola de transmutação. Vau-velhos com qualquer pingo de talento arcano usam para empurrar alguém da balsa sem encostar, soltar uma corda, ou esconder uma moeda. Combinado com noite escura e correnteza forte, vira ferramenta de homicídio quase indetectável.
Trégua do Vau
TradiçãoDurante cheias graves, A Correnteza declara trégua: ninguém é afogado, nenhum pedágio é cobrado de famílias em fuga, e até inimigos podem usar as balsas. Custa caro à reputação interna quebrar essa regra — e Mestra Vau pessoalmente já afogou Atravessadores que tentaram.
Membros notáveis
Mestra Vau
A Maré Alta — chefe absoluta
Ex-balseira do Vau do Sapo. Afogou o próprio pai numa noite de tempestade aos quatorze anos, depois de descobrir que ele entregava cargas a saqueadores. Hoje tem quase sessenta anos, fala pouco, nunca pisou numa cidade grande e ainda rema sozinha rio acima quando quer pensar.
Coiote do Vau
Atravessador do Vau do Sapo
Violento, impaciente, com cicatriz de anzol na bochecha. Faz a região do Vau do Sapo render mais do que qualquer outra, mas afoga gente demais — Mestra Vau já mandou recado. Hospeda o encontro bandidos-no-vau-do-sapo e cobra pedágio em moedas estrangeiras de viajantes vindos do leste.
Velho Tamir
Atravessador veterano da Forna
Trapaceiro, mas leal à Mestra desde menino. Opera a região da Forna — cidade dos vau — há trinta anos e sabe o nome do pai de cada Vau-velho da família. Costuma negociar tréguas com Casa Volkar em segredo, mas avisa Mestra Vau antes.
Lirena
Limosa adolescente — vigia do porto Rix
Quinze anos, magra, sempre descalça, parece criança de rua. Ouve tudo que passa pelo porto Rix — incluindo conversa do contrabandista-do-porto-rix com clientes nobres. Tamir está de olho nela para promovê-la a Vau-velha antes da próxima cheia.
Objetivos
- Consolidar o monopólio do contrabando no porto Rix e expulsar atravessadores independentes.
- Negociar uma trégua armada com Casa Volkar antes que o conflito de pedágios vire guerra aberta.
- Identificar e afogar discretamente um informante da Guarda da Cidade infiltrado nos Vau-velhos.
- Recrutar Limosos suficientes para cobrir três novos vaus no rio do norte antes da próxima cheia.
Aliados
- Contrabandistas independentes que pagam taxa fixa em vez de competir.
- Pequenos nobres ribeirinhos que precisam de logística suja e pagam em silêncio.
- Curandeiros de aldeia — A Correnteza protege os que tratam de afogados sem perguntar nomes.
Rivais
- Casa Volkar — nobreza que disputa pedágios em três pontes de pedra e perdeu primos para a cheia.
- Os Nômades — passam por baixo do sistema, atravessam vaus sem pagar e somem antes do amanhecer.
- Guarda da Cidade — incapaz de provar nada, mas pressiona porto Rix sempre que aparece corpo na margem.
- Irmandade Pedra Rubra — cobrava transporte de minério caro demais; relação ainda fria.
Como usar esta facção
Use A Correnteza como atrito constante de viagem. Toda vez que o grupo precisar atravessar um rio, embarcar numa balsa ou comprar passagem de barco, A Correnteza está lá — cobrando, vigiando, decidindo. Ótimo antagonista para campanhas de logística, contrabando, resgate ou intriga com pequenas nobrezas. Não precisa de boss final — precisa de presença constante.
Encontros sugeridos
- O grupo chega ao Vau do Sapo à noite e o balseiro pede o dobro do preço, com um Limoso já correndo margem acima para avisar Coiote. (Ver encontro bandidos-no-vau-do-sapo.)
- Em Forna, cidade dos vau, um Vau-velho oferece guia gratuita por um atalho fluvial — o atalho passa por uma curva onde três corpos boiam desde a semana passada.
- No porto Rix, o contrabandista-do-porto-rix tenta vender informação valiosa ao grupo, mas Lirena está ouvindo da viga acima e leva tudo a Tamir antes do amanhecer.
Onde encontrar
- Vau do Sapo (pedágio principal e território de Coiote do Vau).
- Forna, cidade dos vau (sede informal do velho Tamir).
- Porto Rix (contrabando pesado, ponto de entrada do contrabandista-do-porto-rix).
- Casa de Mestra Vau — barcaça flutuante ancorada em local que muda toda lua nova.
Rumores e ganchos
- "Não passe pelo Vau do Sapo sem dinheiro miúdo. Eles não dão troco, e quem fica devendo amanhece flutuando."
- "Dizem que Mestra Vau afogou o próprio pai. Eu acho que afogou o próprio marido também, mas isso ninguém repete duas vezes."
- "Tem uma menina descalça no porto Rix que parece pedinte. Não fale nada na frente dela. Ela tem ouvido melhor que cão de caça."