Catador

Cada fragmento conta uma história — você lê o todo no caco

por Critical20

📜Ilustração em produção

Publicado em

Ações Exige PRO

Mecânica

Perícias: Percepção, Sobrevivência

Ferramentas: Kit de artesão (à escolha do jogador — ferreiro, oleiro, costureiro)

Idiomas: Nenhum adicional

Equipamento inicial:
  • Uma bolsa surrada cheia de cacos, lascas e pedaços coletados (sem valor comercial)
  • Uma pinça pequena para examinar fragmentos delicados
  • Um lenço para limpar peças sujas
  • Roupas comuns com vários bolsos costurados internamente
  • Uma bolsa com 5 po

Ouro inicial: 5 po

Classes recomendadas: Ladino, Ranger, Mago, Druida

Característica do antecedente: Reconstrução

Ao segurar qualquer fragmento físico (caco de cerâmica, pedaço de tecido rasgado, lasca de madeira, fragmento de metal, casca, pedaço de couro), você visualiza por 3-5 segundos uma imagem mental do OBJETO INTEIRO ORIGINAL do qual o fragmento veio. A imagem inclui forma, tamanho aproximado, e — se aplicável — decoração visível, marca de fabricante, ou padrão de uso. Além disso, você sente o INSTANTE DA FRATURA: se o objeto foi quebrado por queda, golpe direto, pressão lenta, calor, ou desgaste natural. Isso ajuda a determinar como o objeto se quebrou e, indiretamente, o que acontecia no momento. Limites: 1×/descanso curto. Funciona em fragmentos físicos de objetos manufaturados (não em rochas brutas, líquidos, ou matéria orgânica viva). Não revela quem quebrou o objeto, apenas como foi quebrado. Objetos magicamente protegidos retornam silêncio. Fragmentos com mais de 50 anos retornam imagem mais difusa (mestre interpreta).

Origem do antecedente

Catadores não são mendigos. São arquivistas de restos. Vivem da observação minuciosa do que outros descartam: um cabo solto na rua, um caco de jarro num beco, um pedaço de tecido preso numa moita. O dom transforma esses fragmentos em informação — o Catador segura o caco e vê por alguns segundos o jarro inteiro, com sua decoração original, e o instante em que se quebrou (se foi queda, golpe, ou pressão lenta). A tradição é antiga e descentralizada. Catadores aparecem em qualquer cidade onde há mercado de coisas usadas, qualquer aldeia onde lixo se acumula em beira de estrada, qualquer porto onde naufrágios trazem objetos rotos. Os `os-desenterrados` recrutam Catadores para identificar relíquias parciais antes de escavações maiores. Os `os-nomades` valorizam o dom para avaliação rápida de mercadorias danificadas — uma carroça inteira de cerâmica avariada pode ser comprada barato se o Catador identifica peças reconstituíveis. O Mercador das Cinzas guarda Catadores como informantes — eles leem objetos do mercado negro e identificam o que é roubado, o que é falso, o que é amaldiçoado. Use o Catador para personagens de investigação narrativa — detetives, arqueólogos amadores, mercadores espertos. O dom resolve cenas que pedem reconstituição: 'o que aconteceu aqui?', 'de onde veio este pedaço?', 'esta arma foi quebrada como?'. Não substitui investigação completa, mas dá uma chave para abrir a porta certa.

Como implementar na campanha

Infância em zona de naufrágio

O personagem cresceu em vilarejo costeiro onde naufrágios eram comuns. Aprendeu a identificar pedaços de navios e cargas desde criança — primeiro como brincadeira, depois como ofício. O dom desenvolveu-se naturalmente.

Aprendiz dos Desenterrados

A `os-desenterrados` aceita Catadores como pré-aprendizes. O personagem passou 1-2 anos em escavações, aprendendo a separar lixo de relíquia. Foi formalmente reconhecido pelo Cova-Mestre antes de deixar a ordem.

Mercado negro de antiguidades

O personagem trabalhou para `mercador-das-cinzas` (ou intermediário equivalente) identificando peças roubadas, falsificadas ou amaldiçoadas no mercado negro. Aprendeu o dom em meio a pressão e perigo constante.

Herança de família catadora

Vem de família de Catadores — avós, pais, tios. O dom é tradicional, passado por aprendizado prático desde a infância. A família pode estar dispersa em diferentes cidades, todos vivendo do mesmo ofício discreto.

Características sugeridas

🎭Traços de personalidade

  1. Guardo cacos e pedaços em bolsos diferentes, organizados por origem.
  2. Conheço cidades pelos restos que elas deixam — sei se uma vila quebra mais cerâmica do que vidro.
  3. Examino qualquer objeto que toco — virando, esfregando o polegar nas bordas.

Ideal

  1. Nada é jogado fora de verdade — tudo volta a contar sua história. (Renascimento)
  2. Os fragmentos sabem o que aconteceu; só precisam de quem escute. (Conhecimento)
  3. Reconstruir é um modo de honrar quem fez. (Respeito)

🔗Vínculo

  1. Procuro o objeto inteiro do qual herdei só um fragmento — não sei o que é, mas sei o som de quando quebrou.
  2. Devo a um arqueólogo da `os-desenterrados` a chance que me deu — quero retribuir achando um item específico para ele.
  3. Encontrei um caco de uma família que jurei nunca mais procurar; ainda guardo o pedaço.

🩸Defeito

  1. Não consigo descartar nada — tenho uma coleção que pesa mais que minha mochila.
  2. Vejo objetos antigos quebrarem antes mesmo de tocá-los; isso me irrita quando não consigo evitar.
  3. Confio mais no que um caco me diz do que no que uma pessoa fala.

Notas de mesa

Apresente o dom como ferramenta de detetive prática. O personagem naturalmente vai querer tocar fragmentos em cenas de crime, restos de combate, sucata de naufrágio. Estabeleça regras: 1×/desc curto, só objetos manufaturados, sem revelar quem quebrou. Prepare fragmentos plantados em mistérios — cada um abre uma direção investigativa.

Encontros sugeridos

  • Cena de crime doméstica: a casa foi saqueada. Pelo chão há cacos de jarro, pedaços de cortina rasgados, e lascas de mesa. Cada fragmento conta parte da cena — Catador reconstrói um por um para entender o que aconteceu.
  • Naufrágio sob a maré: o grupo recolhe restos de navio afundado. Catador identifica origem das tábuas (madeira do norte = navio mercante específico), peças de carga, e o que estava em cada caixa. Abre rastreamento do dono.
  • Câmara antiga em ruínas: o grupo entra em cripta saqueada há séculos. Restam apenas fragmentos. Catador reconstrói altares, vasos rituais, armas cerimoniais — revela qual deus ou ordem usou o local.
  • Mercado clandestino: vendedor oferece objetos sem proveniência. Catador toca cada peça — descobre que metade é roubada de família local, e o vendedor é receptador.

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