Pé de Sombra

Quem aprendeu a desaparecer aprende a golpear sem ser visto duas vezes

por Critical20

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Ações Exige PRO

Mecânica

Tipo: Furtividade refinada — conquistado por anos em ofício clandestino ou treino místico

Pré-requisito: Destreza 13+, proficiência em Furtividade, e tempo narrativo significativo dedicado a ofício clandestino (espionagem, roubo, assassinato sob contrato ou treino formal em facção de ladinos)

Ação: Passiva — efeito gatilhado por condição de furtividade

Usos: Ilimitado, limitado pela regra de 1 disparo por turno

Bônus passivo

Quando você faz um ataque após estar invisível, camuflado, escondido com sucesso (Furtividade vencendo Percepção do alvo) ou usando vantagem por estar oculto, o primeiro ataque do seu turno causa +1d6 de dano adicional. O dano é do mesmo tipo da arma utilizada (perfurante, cortante ou contundente).

Gatilho — passo da sombra

Se esse ataque acertar, imediatamente após resolver o dano você pode mover-se até 1,5m em qualquer direção sem provocar Ataque de Oportunidade. O movimento conta para o seu deslocamento total do turno (não é movimento extra grátis).

Empilhamento com Ataque Furtivo

O +1d6 de Pé de Sombra empilha normalmente com Ataque Furtivo do ladino, desde que as condições de cada um sejam cumpridas independentemente. Não substitui nem consome o uso de Ataque Furtivo da rodada.

Exemplo

Você está escondido atrás de uma coluna. Sai da cobertura, ataca o guarda com uma adaga (1d4 perfurante). Acerta com vantagem (por estar oculto), aplica Ataque Furtivo (3d6 perfurante no seu nível) + Pé de Sombra (1d6 perfurante adicional). Após o dano, recua 1,5m para trás da coluna sem provocar AdO.

Limite

O bônus de dano só dispara uma vez por turno (no primeiro ataque qualificado). O passo de 1,5m só pode ser usado se o ataque qualificado ACERTAR. Se o ataque errar, o gatilho de movimento não dispara.

Origem do traço

Pé de Sombra é o ofício transformado em segundo instinto. Quem carrega o traço aprendeu, em anos de prática, que a furtividade não termina no momento do ataque — ela continua, em fração de segundo, no passo que se dá depois. Esse passo é o que separa um ladrão amador de alguém que sai vivo de oficinas, telhados e becos. O primeiro golpe é só metade do trabalho. O outro pedaço é desaparecer da rota do contragolpe enquanto a vítima ainda está virando a cabeça. A tradição vem de duas escolas que jamais se reconheceram como pares. Na primeira, a Adaga — facção de ladinos profissionais — formou gerações de operadores em casas seguras, refinando a técnica até virar gramática silenciosa: peso no calcanhar antes do ataque, peso no antepé depois, e o corpo já não está mais ali quando o sangue cai. Na segunda, entre os nômades das estradas de comércio, mascates aprenderam à força de necessidade: foram emboscados tantas vezes em campos abertos que a sobrevivência exigiu que cada golpe defensivo viesse acompanhado de movimento imediato para fora da linha. As duas linhagens chegaram ao mesmo lugar por caminhos opostos. O portador desenvolve um senso quase animal de posição. Lê a sombra do oponente no chão, lê a posição dos cotovelos do alvo, lê o ângulo em que a luz chega ao próprio rosto. Não é mágica — é leitura espacial refinada por repetição. Em ambientes urbanos, esse leitor reconhece em segundos onde estão as três rotas de escape de qualquer cômodo. Em florestas, reconhece os pontos cegos das criaturas pelo cheiro do vento. Em masmorras, o portador sente a parede mais próxima antes de tocá-la. Use o traço para personagens que fizeram do silêncio profissão. Não é dom de berço — é desgaste. Quem aprende Pé de Sombra geralmente tem pelo menos uma cicatriz que prova que aprendeu sob ameaça real, e raramente fala do mestre que o ensinou — porque o mestre, em geral, já está morto, preso, ou jurado a esquecer-lhe o nome.

Como implementar na campanha

Treinamento na Adaga

A facção `a-adaga` aceita o personagem como aprendiz por 4-8 semanas de campanha. Treino envolve roubo controlado, escalada noturna, técnicas de respiração silenciosa e exercícios em ambientes com vidro espalhado pelo chão. Custo: serviço prestado à facção (geralmente um trabalho clandestino significativo). Abre porta narrativa para uma vida inteira de obrigações à facção.

Sobrevivência entre nômades

O personagem viaja com `os-nomades` por pelo menos 2 meses de campanha, defendendo a caravana de emboscadas. A técnica vem por necessidade — não há mestre formal, só repetição em campo. Mestre pode pedir um teste de Sabedoria CD 14 ao final do período para confirmar a aquisição: o personagem 'reconhece' o que aprendeu.

Mentor desaparecido

Um ladino lendário aposentado aceita treinar o personagem em troca de um favor antigo, ou por reconhecer algo familiar nele. O treino acontece em isolamento (cabana, mosteiro abandonado, navio ancorado) por 3-4 semanas. No fim do treino, o mentor desaparece sem explicação. O traço é a única prova de que ele existiu.

Pacto silencioso com sombra menor

Para campanhas com tom mais místico: o personagem encontra uma sombra menor (espírito de penumbra) numa ruína. Faz pacto silencioso — uma promessa não-verbal de carregar parte do silêncio dela pelo mundo. O traço chega em sonho na noite seguinte. Trade-off: o personagem agora não consegue mais dormir em ambientes totalmente iluminados.

Trabalho marcante bem-sucedido

O personagem completa um trabalho clandestino narrativamente complexo (roubo de alto risco, infiltração em local guardado, assassinato com saída limpa) sem ser identificado. O mestre oferece o traço como reconhecimento mecânico — o ofício foi internalizado o suficiente para se tornar reflexo.

Prós

  • Dano substancial em furtividade

    O +1d6 empilha com Ataque Furtivo, multi-ataque e bônus de classe. Em nível 5+, o portador desfere golpes de abertura devastadores quando consegue posicionamento prévio. Combos com magia de invisibilidade (Greater Invisibility) ficam absurdamente fortes.

  • Mobilidade tática real

    O passo de 1,5m sem AdO permite atacar e recuar para cobertura, ou reposicionar para flanquear no turno seguinte. Em mapas com terreno tático (colunas, móveis, janelas), o portador vira coreógrafo do combate.

  • Sinergia com hide as bonus action

    Ladinos com Cunning Action podem atacar, escapar 1,5m via Pé de Sombra, e usar ação bônus para Hide novamente — repetindo o ciclo. Em ambientes com cobertura, isso vira loop devastador de hit-and-run.

  • Funciona em qualquer arma de ladino

    Não restringe arma. Funciona com adagas, espadas curtas, bestas leves, arco curto e arma sutil. O +1d6 é do tipo da arma — permite ataque furtivo perfurante ou cortante conforme o build.

Contras

  • Depende de setup prévio

    Só dispara quando o portador conseguiu camuflagem, invisibilidade ou furtividade bem-sucedida antes do ataque. Em combates abertos sem cobertura, ou contra inimigos com Verdadeira Visão, o traço fica completamente desativado.

  • Limitado ao primeiro ataque do turno

    Em níveis altos com multi-ataque (Ladino multiclasse com Guerreiro, por exemplo), apenas o primeiro ataque qualificado dispara o bônus. Os ataques seguintes recebem apenas o dano normal.

  • Movimento curto

    1,5m é pouco em mapas grandes. Em terreno aberto, o passo não é suficiente para chegar à cobertura — apenas para sair de alcance corpo a corpo direto. Em corredores estreitos, pode não ter para onde ir.

  • Anulado por percepção alta

    Inimigos com Percepção Passiva muito acima da Furtividade do portador (geralmente CR 10+) anulam a condição de gatilho. Bosses com sentidos aguçados (visão na escuridão, tremorsense) impedem o uso eficaz.

Portadores famosos

Isolde da Corte Quieta

Espiã veterana, agente independente

Ver NPC `espia-da-corte-isolde`. Treinada pela Adaga ainda jovem, hoje opera por conta própria entre cortes nobres. Carrega Pé de Sombra refinado a ponto de movimentar-se em salões cheios sem ser notada. Excelente como mentora narrativa para personagens em arcos de espionagem, ou rival profissional num jogo de gato e rato.

Mestre Vrek Punho-de-Fumaça

Antigo Lâmina da Adaga

Goblin idoso, aposentado da facção `a-adaga`. Vive em segredo numa loja de tatuagens no porto. Aceita treinar apenas um aprendiz por geração. Personagens que conseguem chegar até ele (geralmente após cumprir teste de paciência ou trazer um item específico) recebem o traço em 6 semanas de treino brutal.

Naila Olho-Curto

Mascate-guerreira dos Nômades

Meio-elfa que cresceu nas estradas de comércio leste. Aprendeu Pé de Sombra defendendo caravanas dos Nômades contra emboscadas repetidas. Não tem treino formal — aprendeu por desgaste. Hoje é referência para personagens de origem viajante que querem o traço sem entrar em facção urbana.

Korr o Eco

Assassino desaparecido

Lenda urbana entre ladinos: existiu, fez três trabalhos famosos sem deixar testemunha, e sumiu. Alguns dizem que foi morto por contrato cruzado, outros que se aposentou numa ilha sem nome. Bom recurso narrativo como antagonista misterioso, lenda inspiradora ou identidade falsa a ser desvendada.

Notas de balanceamento

Conceda o traço como reconhecimento de ofício, não como compra. O personagem precisa ter dedicado tempo narrativo real ao silêncio — não basta declarar 'meu personagem é ladino'. Marque a aquisição com uma cena ritual: o primeiro ataque pós-aprendizado, o reconhecimento do mentor, ou o silêncio de uma cidade ao perceber que ela acabou de ser violada sem testemunha. Em mesa, descreva mecanicamente o passo de 1,5m como movimento descrito pelo jogador — pede-se que ele narre para onde a sombra escorrega.

Encontros sugeridos

  • Infiltração em local guardado com vários inimigos espaçados (mansão, quartel, navio). O portador encadeia ataques + reposicionamento + esconder novamente, eliminando guardas um a um.
  • Combate em terreno com cobertura abundante (floresta densa, ruína, biblioteca). O passo de 1,5m brilha quando há cobertura próxima.
  • Duelo em ambiente urbano com telhados, becos e janelas. O portador transforma o mapa numa coreografia vertical de hit-and-run.
  • Boss fight com fase de invisibilidade aliada (mago do grupo lança Greater Invisibility no portador) — Pé de Sombra dispara a cada turno.

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